São Paulo, Brasil,
25
Julho
2023
|
14:44
Europe/Amsterdam

Por que há tantos casos de ataque cardíaco em jovens e atletas?

Ataque cardíaco em jovens: por que há tantos casos?

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Nos últimos anos, cresce a preocupação com o aumento de casos de ataque cardíaco em jovens e atletas. O que costumava ser considerado um problema de saúde de pessoas idosas, tem se tornando cada vez mais comum em pessoas jovens e em boa forma física.

O aumento das ocorrências de infarto em pessoas jovens e fisicamente ativas tem gerado dúvidas quanto às suas possíveis causas. Até mesmo porque a prática de exercícios é uma recomendação comum para manter o bem-estar.

Neste texto, iremos explorar o que pode causar infarto em jovens e atletas. Também iremos discutir o que pode ser feito para prevenir essa condição potencialmente fatal.

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O que causa ataque cardíaco em jovens e atletas?

Apesar de ser menos comum, o “ataque cardíaco”, como é popularmente chamado o infarto do miocárdio, também pode acontecer em pessoas mais jovens e naquelas que praticam esportes. Inclusive, entre 2010 e 2019 houve um aumento de cerca de 59% nas internações de pessoas de até 39 anos por infarto, segundo dados do Ministério da Saúde. O número de óbitos também subiu 9%.

Ainda de acordo com o Ministério, cerca de 300 mil brasileiros sofrem Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) por ano; sendo que 30% dos casos podem resultar em óbito.

Mais especificamente, pode-se falar em “morte súbita cardíaca” para explicar uma situação chamada fibrilação ventricular, na qual o músculo cardíaco sofre um completo desarranjo de sua atividade elétrica, o que impede que consiga bater e efetivamente bombear o sangue. Essa é, literalmente, a “parada cardíaca” que, se não revertida em minutos, pode levar à morte.

Durante os últimos anos, surgiram diversos casos de morte súbita em atletas, muitos deles envolvendo pessoas jovens e ativas. Além do infarto do miocárdio, outras doenças estruturais do coração também podem culminar em fibrilação ventricular e morte súbita cardíaca – especialmente durante a realização de esforços físicos extenuantes, como acontece em atletas de alto desempenho.

Em 2021, durante uma partida da Eurocopa, o jogador dinamarquês Christian Eriksen, então com 29 anos, sofreu uma parada cardíaca. Graças à imediata e precisa atuação da equipe médica, ainda no estádio, o atleta sobreviveu e, depois da instalação de um cardioversor desfibrilador implantável (CDI), conseguiu voltar a atuar em jogos de alto nível.

Outro caso é o do triatleta americano Tim O'Donnell. Ele sofreu um infarto durante a etapa de ciclismo no Challenge Miami, em março de 2021. Começou a apresentar sintomas de dor no peito, que se estendiam ao braço esquerdo e sua mandíbula “travava”.

Após concluir a prova em 11º lugar, os sintomas pioraram. Rapidamente ele foi submetido a um cateterismo e precisou receber o implante de um stent. Voltou a realizar treinamento leve semanas depois.

É importante entender as possíveis causas do “ataque cardíaco” em jovens e atletas, pois é mais difícil evitar gatilhos da doença se a pessoa desconhece os sintomas e seu estado de saúde.

A principal causa do infarto do miocárdio é a aterosclerose. Nessa doença, placas de gordura, colesterol ou outras substâncias se acumulam nas paredes das artérias, causando obstrução. Geralmente, o infarto ocorre quando uma dessas placas se rompem, formando um coágulo e interrompendo o fluxo sanguíneo para uma parte do músculo cardíaco.

Apesar da maioria das doenças cardiovasculares só se manifestarem quando a pessoa chega a fase adulta, o processo de aterosclerose começa na infância.

Há alguns anos, Comitê Olímpico Internacional detectou que ao longo de quatro décadas, 10% das mortes de atletas jovens entre 15 e 30 anos foram provocadas por infarto. Nesses casos, o fator de risco principal foram os elevados níveis de colesterol.

Também foi apontada outra causa para o infarto em jovens. Uma alteração congênita conhecida como origem anômala maligna da coronária, que geralmente é assintomática em atletas.

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Fatores de risco em esportes de alta performance 

É evidente que os esportes de alto rendimento exigem muito do organismo. No entanto, não é a prática dessas atividades que tem elevado o número de atletas morrendo de infarto.

O problema é a ausência de exames médicos para verificar a existência de distúrbios cardíacos e outros fatores de risco. Como grande parte dos sintomas são silenciosos, são esses indícios que vão ajudar no diagnóstico precoce.

São vários os fatores que podem aumentar o risco de ataque cardíaco em jovens e atletas, incluindo:

●        Estilo de vida;

●        Histórico familiar;

●        Uso de drogas ou suplementos;

●        Condições médicas pré-existentes;

●        Excesso de colesterol ruim (LDL);

●        Tabagismo.

Como evitar infarto em jovens? 

O estilo de vida adotado por muitos jovens leva a um aumento dos fatores de risco nessa faixa etária. Muitas vezes a rotina leva ao estresse, sedentarismo e má alimentação, que são três inimigos da saúde, principalmente cardiovascular.

Dessa forma, a melhor prevenção para o infarto é mudar comportamentos prejudiciais e adotar um estilo de vida saudável.

●      Ter uma dieta balanceada;

●      Ingerir menos gordura e alimentos processados;

●      Praticar atividades físicas regularmente;

●      Parar de fumar, consumir álcool ou usar drogas;

●    Pacientes com doenças cardiovasculares devem fazer reabilitação cardíaca, com acompanhamento médico.

Outro fator muito importante para detectar sinais de infarto iminente (ou risco elevado) em jovens é a consulta anual com um cardiologista. A consulta serve para fazer uma investigação da saúde geral do paciente e controlar possíveis fatores de risco antes que se agravem. Além disso, pode ser que alguma doença congênita ou genética seja identificada, podendo ser tratada precocemente.

Vale lembrar que quem já sofreu um infarto precisa ter cuidados redobrados, pois o risco de um segundo episódio é maior e não há como eliminá-lo totalmente.

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E se não houver risco de infarto? 

É importante saber também que não só a aterosclerose das artérias coronárias e o consequente infarto podem causar morte súbita cardíaca. Existem doenças congênitas que podem comprometer estruturalmente ou de maneira funcional o coração, podendo culminar também na fibrilação ventricular (parada cardíaca).

Diagnósticos como a miocardiopatia hipertrófica (um espessamento exagerado do músculo cardíaco, que aumenta o tamanho do coração) e canalopatias (alterações bioquímicas nas células que compõem o músculo cardíaco) podem levar à completa desorganização da atividade elétrica do coração.

Isso possibilita o aparecimento de numerosos tipos de arritmias, inclusive aquelas consideradas “malignas”, devido à sua alta letalidade: a taquicardia ventricular e a fibrilação ventricular (parada cardíaca).

Nesses casos, são situações bastante específicas, que necessitam da avaliação específica e preventiva do cardiologista, pois, em sua grande maioria, são condições assintomáticas durante grande parte da vida da pessoa. Apesar da conhecida relação com fatores hereditários, é imprescindível a avaliação médica para que se afaste ou confirme a hipótese de qualquer desses diagnósticos. 

Quando começar a fazer exames cardíacos?

Como citado anteriormente, a consulta é a ferramenta fundamental para evitar casos de infarto e tratar os fatores de risco.

Pessoas que não têm histórico de doenças cardíacas na família podem começar a realizar exames do coração a partir dos 35 ou 45 anos. Caso algum familiar tenha tido problemas no coração, é interessante que a consulta ocorra mais cedo, aos 30 ou 35.

Normalmente são realizados exames preventivos para verificar colesterol, triglicérides e glicemia. Outros também podem ser solicitados, como:

●    Não-invasivos: ecocardiograma, teste ergométrico, eletrocardiograma, raio-x de tórax, cintilografia e holter 24 horas.

● Invasivos: angiografia e ecografia transesofágica (estes, indicados pelo médico em situações específicas, e, em geral, quando já existe algum direcionamento para o diagnóstico).

Se o paciente for jovem e saudável, talvez não seja necessário fazer todos os testes, a não ser que haja alguma anormalidade encontrada. Mas, a partir dos 35 anos, exames como eletrocardiograma (ECG) e testes de esforço físico (ergométrico) são realizados antes da prática de exercícios físicos intensos ser aprovada.

No entanto, quando falamos de atletas, especialmente de alto rendimento, é preciso acompanhamento médico especializado constante. É importante que a pessoa passe por uma análise antes mesmo de iniciar os treinos para verificar a situação cardíaca e detectar possíveis distúrbios.

Segundo o artigo "Morte por parada cardíaca súbita em atletas", de autoria do Cardiologista e Professor de Medicina na Western University, Robert S. McKelvie (PhD), nos Estados Unidos, por exemplo, atletas entre 15 e 18 anos são avaliadas a cada dois anos; já os que têm mais de 18 são avaliados a cada quatro anos. Na Europa, é feita uma aferição a cada dois anos, independentemente da idade do atleta.

Em todos os casos, a recomendação principal para prevenir ataque cardíaco em jovens e atletas é manter uma dieta balanceada e uma rotina saudável, e sempre com liberação médica.